Sucuris realmente comem pessoas? Homem que conviveu 14 anos com a espécie em MS esclarece: 'que eu me lembro'

Especialista na espécie responde se sucuris realmente comem pessoas

| MIDIAMAX/JOãO RAMOS


Na segunda imagem, uma sucuri-verde estava digerindo uma capivara ao lado de Daniel - (Fotos: Daniel de Granville e Eli Martinez)

Polêmicas envolvendo ataques de sucuris na novela 'Pantanal' e um ataque de uma cobra da espécie a um guia em Mato Grosso do Sul na última semana, levantaram dúvidas a respeito da real capacidade dessas serpentes comerem pessoas.

Temida por muitos, as sucuris são as rainhas das águas do pantanal e provocam imponência no bioma. Guias, biólogos e fotógrafos em geral tentam há anos desmistificar a espécie e desfazer esse medo latente que ela provoca em humanos. Mas, apesar de cênicos, os ataques da cobra na trama da TV Globo acentuaram o temor e levantaram ainda mais burburinhos sobre a serpente.

Uma publicação compartilhada por Daniel De Granville (@danieldegranville)

Enquanto ambientalistas afirmam que tudo não passa de uma lenda, populares juram de 'pé junto' que uma sucuri é capaz de comer um ser humano. O MidiaMAIS então perguntou ao especialista Daniel De Granville, biólogo e fotógrafo conhecido por ter convivido com a espécie durante 14 anos em Mato Grosso do Sul, se sucuris realmente comem pessoas.

Daniel comenta que jamais presenciou uma cena do tipo ou leu relatos de situação semelhante, mas confirma. 'Olha, teoricamente a sucuri poderia ser capaz de se alimentar de uma criança pequena, por exemplo. Nunca li relatos disto efetivamente acontecendo, ou seja, de alguma sucuri ter comido um ser humano', afirma.

'Todos os outros casos de ataques a humanos que eu me lembro foram ou para defesa (quando a pessoa abusa e perturba demais o bicho) ou então aquela questão dos machos (que são bem menores) serem mais agressivos durante o período de reprodução', conta Daniel ao MidiaMAIS.

Uma publicação compartilhada por Daniel De Granville (@danieldegranville)

Quanto ao ataque de uma sucuri-amarela a um guia na semana passada, em Mato Grosso do Sul, o biólogo é enfático: 'Obviamente essa sucuri é muito pequena para se alimentar de um humano', diz ele.

Estigma em Pantanal

Mudança de rumos na novela 'Pantanal'. Por decisão superior, a sucuri assassina que devorou o personagem de um ator de Campo Grande nos primeiros capítulos do folhetim global não fará mais uma vítima na história, como aconteceu na versão original da TV Manchete, em 1990.

Um personagem importante deveria morrer engolido nos próximos capítulos, mas o escritor do remake, Bruno Luperi, decidiu mudar o acontecimento. Desta vez, o desfecho de Roberto (Cauê Campos), filho de Tenório (Murilo Benício), será outro: o rapaz morrerá afogado. A cobra ainda aparecerá na mesma cena, mas não será a responsável por matá-lo.

Ao que tudo indica, os assassinatos cometidos pela sucuri nos capítulos iniciais de 'Pantanal' não pegaram muito bem entre comunidades ambientalistas que lutam contra o estigma e pela preservação desta espécie. Diante da problemática, a emissora se viu obrigada a modificar esta parte da trama.

Ataque da serpente

Fotógrafo da natureza em Mato Grosso do Sul, Wesley da Costa Oliveira foi atacado por uma sucuri-amarela no Passo do Lontra, localizado no Pantanal, às margens do Rio Miranda. A cobra, típica do bioma, deu um bote quando o rapaz se aproximou no último dia 24. Wesley, que costuma fotografar animais na planície alagada, acabou se aproximando muito, o que provocou o ataque.

Veja:

Ao MidiaMAIS, o homem de 28 anos detalha o susto. 'Eu estava numa pescaria com dois clientes de Maringá. Nessa pescaria, a sucuri estava em uma árvore atrás de mim e a hora que eu fui amarrar o barco pra gente pescar, ela tentou me dar o bote, só que não acertou', conta ele.

'Assim que ela deu o primeiro bote, decidi fazer um vídeo. Comecei a gravar ela da parte do rabo pra cabeça, só que eu não vi que ela tava com o bote armado, fui ver na gravação. Hora que eu coloquei a mão em cima com a câmera, ela veio e mordeu minha mão. Foi muito ligeiro', relembra Wesley.

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