Coração Valente: com 16% de internos indígenas, presídio de Amambai fortalece cidadania e valores étnicos

| GOVMS / KEILA TEREZINHA RODRIGUES DE OLIVEIRA


O Dia Nacional dos Povos Indígenas, comemorado na sexta-feira (19), marcou o início do projeto 'Py’a Mbarete' - que significa 'Coração Valente' em guarani - no Epam (Estabelecimento Penal de Amambai), no sul de Mato Grosso do Sul. A ação é coordenada pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário).

Com 16% do total de custodiados ali sendo indígenas, a iniciativa visa fortalecer a cultura dos reclusos, além de promover educação, cidadania e valores. Idealizada pelas policiais penais Verônica Cristina da Silva Lima e Doralice Pereira da Silva, a ação ainda busca proporcionar a oportunidade de resgate cultural e de construção de um projeto de vida, visando seu crescimento integral.

A coordenação do projeto fica a cargo da Diretoria de Assistência Penitenciária, por meio da Divisão de Promoção Social. Dos 171 internos do presídio masculino de regime fechado de Amambai, 26 são indígenas, sendo 21 deles condenados por crimes violentos. 

Discussões sobre temas como valor da cultura indígena, diversidade cultural, cidadania, identidade, cultura da paz, família, violência e vícios, por meio de palestras e oficinas de artesanato e música indígenas, serão realizados durante o projeto.

A programação de abertura envolveu uma palestra sobre a importância dos cuidados com a saúde física e mental do indígena, ministrada na língua materna Guarani pela enfermeira Elaine Cáceres Nelson e pela técnica de enfermagem Rosinéia Souza, ambas da etnia Kaiowá.

A apresentação foi acompanhada pelo diretor do presídio, Alexandre Ferreira.

A experiência impactou positivamente um dos internos, de 28 anos, indígena Kaiowá. 'Me sinto muito valorizado por ter recebido essa palestra na minha língua, por ter alguém da minha aldeia falando. Esse projeto é muito importante porque está valorizando o indígena', disse o reeducando.

O projeto será permanente e desenvolvido nas dependências da sala de aula do Estabelecimento Penal de Amambai, com encontros quinzenais de 120 minutos cada.

Utilizando uma metodologia aberta e participativa baseada em rodas de conversas, serão abordados temas pertinentes à realidade dos participantes, incentivando a partilha de experiências e o respeito à diversidade cultural.

Além das atividades regulares, o projeto contempla oficinas de arte e cultura indígena, bem como a presença de visitantes, como as profissionais de saúde que palestraram, que contribuirão para uma troca pluricultural e multiétnica.

Essa iniciativa conta com parcerias importantes, como a Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Estadual de Educação, Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Casai (Casa de Saúde Indígena) e promotoria Ministério Público em Amambai.

'A ideia é oportunizar aos internos indígenas a discussão de diversos assuntos através de palestras, bem como oficinas de artesanato e música indígenas, como forma de rever os conflitos advindos da prática delitiva e do processo de prisionização', ressalta a policial penal Verônica Cristina da Silva Lima.

Segundo a coordenadora, só de ter pessoas falando na língua materna deles é visível a transformação. 'Eles dificilmente se interessam em participar das atividades, mas com as profissionais de saúde falando em Guarani, eles participaram ativamente, fizeram várias perguntas', comemora.

Na opinião do diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o projeto 'Py’A Mbarete' representa um importante passo na busca pela ressocialização e reintegração dos presos indígenas, valorizando sua identidade cultural e promovendo a construção de um futuro mais digno e inclusivo.

Comunicação Agepen

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