Sua orelha tem dobrinha? Cardiologista de MS esclarece ‘sinal’ de infarto após morte de influencer
Saiba o que diz cardiologista sobre a possibilidade de infarto e outros problemas no coração
| MIDIAMAX
A morte precoce do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, no último dia 6 de fevereiro, reacendeu uma discussão envolvendo o Sinal de Frank, uma dobra no lóbulo da orelha que, segundo estudos, seria um indicativo de problemas cardíacos.
Conhecido pelo popular bordão “quem fez, fez”, Maderite morreu após sofrer um infarto fulminante em Ouro Preto, Minas Gerais. Depois de sua morte, internautas observaram, em vídeos gravados pelo próprio influenciador, que ele tinha o famigerado Sinal de Frank em uma de suas orelhas.
Descrito na década de 1970 por um pneumologista norte-americano, o sinal corresponde a uma prega diagonal no lóbulo da orelha e foi inicialmente relacionado à presença de doença coronariana, que causa obstrução das artérias responsáveis por irrigar o coração.
Procede? Cardiologista comenta dobra na orelha relacionada a infarto
Porém, apesar de ser amplamente difundida, a teoria precisa ser encarada com cautela. É o que afirma o cardiologista Delcio Gonçalves da Silva Junior, do Humap-UFMS.
“Esse sinal foi descrito há muitos anos, através de estudos observacionais e relatos de caso apenas. A verdade é que a sua capacidade de identificar realmente com segurança pessoas que têm doenças cardiovasculares graves é muito ruim. A precisão desse sinal é baixa”, destaca o doutor.
Conforme Delcio, pesquisas mais recentes mostram que pode até haver alguma associação, mas isso não é determinante.
“Pessoas com esse sinal podem ter, sim, algum grau de doença cardiovascular severa. Mas boa parte (ou a maioria) das pessoas que têm problemas sérios nas coronárias e eventos cardíacos fatais não apresentam esse sinal. Menos de 20% das pessoas com essa prega têm alguma chance de desenvolver um evento. Então, esse não é um método confiável nem para garantir que a pessoa tem, nem que não tem um problema cardiovascular sério”, avalia.
“Conselho de ouro” do cardiologista
A identificação do risco cardiovascular, de acordo com Delcio, depende de consulta médica, análise do histórico familiar, idade, sintomas e hábitos de vida.
Alguns exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico, angiotomografia coronária e ultrassonografias vasculares ajudam a aumentar a precisão na previsão de problemas cardíacos.
“Nas consultas, fazemos a estratificação de risco de cada indivíduo. Conforme essa pontuação, estimamos a chance de a pessoa desenvolver um problema cardíaco nos anos seguintes e montamos uma estratégia de orientação que pode envolver medicação e mudanças no estilo de vida”, reforça.
O cardiologista finaliza ressaltando que, mais importante do que observar um sinal isolado, é manter acompanhamento médico regular e investir na prevenção.
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