Professores de MS têm maior renda inicial, mas levam 30 anos para chegar ao topo
Após 3 décadas de trabalho, os professores sul-mato-grossenses podem receber até R$ 26,5 mil
| FERNANDA PALHETA / CAMPO GRANDE NEWS
Apesar de ainda liderar a maior remuneração do Brasil, com salário inicial de R$ 13 mil, os professores de Mato Grosso do Sul demoram 30 anos para chegar ao topo da carreira. É o que aponta o estudo do Movimento Profissão Docente, que analisou a estrutura das carreiras docentes das redes estaduais em 2025.
A amplitude temporal média das carreiras de professores em 2025 foi de 25 anos no País, sendo o Amapá o estado com maior amplitude, de 36 anos. Mato Grosso do Sul aparece em sétimo lugar, ao lado de Alagoas e Minas Gerais, com três décadas. O Piauí é o estado com a menor amplitude temporal, os professores demoram 12 anos para chegar ao topo da carreira.
'Uma amplitude temporal muito grande também pode ser desestimulante para o professor, uma vez que não há perspectiva de melhorar a remuneração no médio prazo. Além disso, a amplitude não deve ser superior ao tempo que um docente leva para se aposentar, tanto pelas regras gerais de aposentadoria quanto pelas definidas pelos estados, sob o risco de as últimas referências da carreira serem consideradas fictícias, já que nenhum servidor da ativa seria capaz de alcançá-las', aponta o estudo.
Segundo o levantamento, após três décadas de trabalho, os professores sul-mato-grossenses podem receber até R$ 26,5 mil, um aumento de 104% em relação ao salário inicial da carreira.
O valor é comparado às referências internacionais. Segundo estatísticas educacionais da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2023, países com sistemas educacionais reconhecidos pela qualidade, como Canadá, Luxemburgo, Áustria e Japão, apresentam amplitudes salariais entre 72,7% e 110,2% para docentes de etapa equivalente ao ensino médio brasileiro.
Já nos primeiros 15 anos de carreira, o aumento salarial em Mato Grosso do Sul é de 54%. Ao lado do Ceará, São Paulo e Rio Grande do Norte, é um dos quatro estados brasileiros que apresentaram um crescimento remuneratório mais acentuado nos primeiros anos da carreira, acima de 40%.
Para o estudo, o crescimento remuneratório mais acentuado nos primeiros anos da carreira aumenta a atratividade da profissão e favorece a retenção de professores qualificados. 'Evidências indicam que a decisão de ingressar na docência está mais fortemente associada ao valor da remuneração inicial do que aos ganhos concentrados apenas no final da carreira', afirma.
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