Ayache promete transparência e justifica reajuste para sobrevivência da Cassems

Deputados querem acesso a critérios técnicos e financeiros que embasaram aumento na cobrança de dependentes

| KETLEN GOMES / CAMPO GRANDE NEWS


Presidente da Cassems, Ricardo Ayache explica motivos do reajuste e se prontifica a esclarecer dúvidas. (Foto: Paulo Francis)

O reajuste nos valores do plano de saúde da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul) foi alvo de debate na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) nesta terça-feira (19). Deputados questionaram o aumento da cobrança para cônjuges dependentes, que passou de R$ 35 para R$ 450. Já o presidente da entidade, Ricardo Ayache, afirmou que a medida foi necessária para garantir a sustentabilidade do plano.

Ayache disse que o reajuste foi definido com base em dados que apontam risco ao equilíbrio financeiro da Cassems no longo prazo. Segundo ele, o modelo atual de contribuição gerou déficit na carteira de cônjuges. O presidente também rebateu a afirmação de que houve aumento de cerca de 1.200%.

“Há uma distorção da realidade quando se fala em aumento de 1.200%, porque, na verdade, a contribuição do servidor é de 6% quando ele é sozinho. Quando é casado, a contribuição passa para 7% do salário, mais a contribuição patronal, e tem essa contribuição fixa de R$ 35. Então, nós só alteramos a contribuição fixa. O percentual não foi alterado', explicou Ayache.

A crítica dos deputados, no entanto, se refere ao adicional cobrado pelo cônjuge, que subiu de R$ 35 para R$ 450. O deputado estadual Paulo Duarte (PSDB) iniciou o debate durante a sessão ordinária e apresentou requerimento ao presidente da Cassems, pedindo informações detalhadas sobre a origem do déficit, os cálculos e critérios técnicos usados para definir o reajuste, os motivos para a escolha do aumento e se outras medidas administrativas foram analisadas.

O presidente da Cassems afirmou que irá prestar esclarecimentos na Assembleia quando for chamado. Segundo ele, a entidade tem recebido propostas e sugestões sobre a manutenção do plano, e tudo que for colocado em debate será analisado.

“Nós não temos nenhuma dificuldade em prestar informações com muita clareza, com muita transparência. Neste ano de 2025, nós submetemos as nossas contas a uma auditoria externa da KPMG, que é a maior empresa de auditoria do mundo. Foi uma auditoria importante, complexa, mas necessária para garantir transparência de tudo que nós fazemos. Então, com muita tranquilidade, nós estaremos lá', afirmou.

Os deputados também demonstraram preocupação com o impacto financeiro do reajuste no orçamento dos servidores públicos estaduais. O presidente da Alems, Gerson Claro (PP), defendeu que a Cassems apresente dados detalhados por unidade hospitalar, para evitar uma “conta genérica'.

“Eu não sei se é Corumbá ou se é Coxim. Precisamos entender se é no hospital, no serviço, no medicamento, para saber onde estão as receitas e despesas e onde está o déficit', questionou o deputado.

Ricardo Ayache informou que, apenas na carteira de cônjuges, o déficit chega a quase R$ 190 milhões por ano. Segundo ele, a arrecadação é de R$ 60 milhões, enquanto os gastos com assistência à saúde somam R$ 250 milhões para a categoria. O presidente afirmou ainda que o modelo adotado pela Cassems precisa passar por mudanças para garantir a sobrevivência do plano.

“O nosso plano é o que tem o menor custo do mercado e é o que tem a melhor qualidade. O custo médio por pessoa é de R$ 528 e, com o ajuste, vai para R$ 590. Claro que a gente não gostaria de fazer isso. Não é uma coisa que a gente desejava, mas é necessária para garantir que o plano continue oferecendo assistência de saúde de qualidade. Essa é a realidade que nós enfrentamos', destacou.

Em comunicado aos beneficiários, a Cassems afirmou que nos últimos anos os custos da saúde cresceram de forma acelerada, com internações mais complexas, aumento de tratamentos contínuos e remédios de alto custo como exemplos. Apesar de destacar que entende que mudanças na contribuição geram preocupação e impactam o orçamento das famílias, a entidade afirmou que a medida é necessária para preservar a continuidade da assistência médica.

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