Cachorro andando torto? Sinal pode ser alerta para AVC em pets
Veterinário explica que desequilíbrio, quedas e mudanças repentinas na coordenação exigem atenção dos tutores
| CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS
Assim como acontece com pessoas, cachorros também podem sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). O problema ocorre quando o fluxo de sangue para uma região do cérebro é interrompido ou quando há rompimento de um vaso sanguíneo, comprometendo o funcionamento das células nervosas.
De acordo com o médico-veterinário Felipe Alonso, alguns sinais podem ser percebidos pelo tutor antes mesmo de saber o que está acontecendo com o animal. Tropeços frequentes, dificuldade para caminhar e andar descoordenado, por exemplo, merecem atenção.
“Quando o cachorro começa a apresentar alterações no equilíbrio ou na coordenação, principalmente se isso acontece de repente, é importante investigar. Não é normal o animal que sempre caminhou bem começar a tropeçar ou andar de maneira desajeitada sem motivo aparente', explica Felipe.
Um dos sinais descritos em casos de alterações neurológicas é justamente a chamada ataxia, quando o animal perde a coordenação dos movimentos. O cachorro pode cambalear, tropeçar, ter dificuldade para caminhar em linha reta ou parecer que está bêbado.
Mudança pode acontecer de repente
O AVC em cães costuma provocar sinais neurológicos de início súbito. Dependendo da região do cérebro atingida, o animal pode apresentar dificuldade para ficar em pé, cair para um dos lados, andar em círculos ou demonstrar fraqueza em parte do corpo.
“Uma mudança repentina é um dos pontos que mais chamam a atenção. Se o cachorro estava normal e, de uma hora para outra, começa a perder o equilíbrio, andar em círculos ou apresentar dificuldade para se movimentar, o tutor não deve esperar para ver se passa', alerta o veterinário.
A inclinação da cabeça também pode aparecer. Em alguns casos, o cachorro pode ficar com a cabeça constantemente inclinada para um dos lados, perder a estabilidade e até cair ou rolar.
Nem sempre é só dificuldade para andar
Os sinais de um AVC não ficam restritos aos movimentos. O cachorro também pode apresentar alterações de comportamento, ficar desorientado, parecer confuso ou mudar repentinamente a maneira como interage com as pessoas.
Convulsões, tremores, fraqueza, alterações na consciência e até perda súbita da visão também estão entre os sinais que podem acompanhar um problema neurológico.
“Se o cachorro deixa de reconhecer um ambiente, fica muito desorientado, passa a andar em círculos ou apresenta uma alteração brusca no comportamento junto com dificuldade para caminhar, isso precisa ser levado a sério', orienta Felipe.
Outro comportamento que merece atenção é quando o animal passa a pressionar repetidamente a cabeça contra uma parede, móvel ou outro objeto fixo. Esse sinal pode estar relacionado a alterações neurológicas e precisa de avaliação veterinária.
O que fazer ao perceber os sinais?
O mais importante é não tentar descobrir sozinho se o cachorro realmente teve um AVC. Os mesmos sinais podem aparecer em outras doenças neurológicas, e somente a avaliação veterinária consegue determinar a causa.
“O tutor deve observar quando os sinais começaram, como o cachorro estava se comportando antes e quais alterações apareceram. Essas informações ajudam muito durante a consulta', explica Felipe.
A investigação pode envolver exame clínico e neurológico e, dependendo do caso, exames complementares. A ressonância magnética e a tomografia podem ser utilizadas para identificar alterações no cérebro e ajudar na diferenciação entre um AVC e outras doenças.
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