Hábito que poucos fazem revela se alimento é realmente saudável

Nutricionista explica como ler embalagens e alerta que fit, light e diet não garantem saúde

| DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS


O primeiro item da lista de ingredientes é o que está presente em maior proporção no produto. (Foto: Luiz Donizete)

A aposentada Vera Lúcia, de 77 anos, tem o costume de conferir os ingredientes dos alimentos devido às crianças da família. Avó, ela procura observar principalmente as gorduras presentes nos produtos.

“Quando é alimentar, eu procuro ver quais as gorduras que tem. Basicamente isso', conta.

Esse hábito não é comum a todos os consumidores. A estudante de Arquitetura e Urbanismo Nicole Arrais, de 22 anos, admite que não costuma ler os ingredientes, mas fica de olho nas calorias.

Já o aposentado Roberto Ribeiro, de 62 anos, confere a procedência e a validade dos alimentos. “Eu olho tudo, vejo os ingredientes, de onde vem e, principalmente, a validade', afirma.

Apesar de não ser um costume geral, olhar os rótulos dos alimentos vem ganhando mais adeptos. Para ajudar na escolha dos produtos, o nutricionista Leonardo Recena Aydos recomenda observar tanto a lista de ingredientes quanto a tabela nutricional. Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade, ou seja, o primeiro é o que está presente em maior proporção.

Aydos orienta atenção a nomes como açúcar, sacarose, dextrose e xarope de glicose, além de gorduras vegetais hidrogenadas e ingredientes ricos em gordura saturada. No caso do sódio, ele destaca que a quantidade consumida também importa.

“Não é só se ele é alto em sódio ou alto em açúcar, é a porção que ele vai consumir', explica. Por isso, a recomendação é conferir a tabela nutricional e comparar produtos semelhantes, considerando a quantidade que será consumida.

Fit, light e diet exigem atenção - A embalagem também pode confundir quem procura opções mais saudáveis. Segundo Aydos, produtos com essas indicações nem sempre têm menos calorias ou uma composição nutricional melhor. O chocolate diet, por exemplo, pode ter valor calórico semelhante ao da versão convencional.

“Se ela quer um produto pouco calórico, ela vai ter que ver as calorias', orienta. Ele também recomenda conferir a lista de ingredientes de produtos que anunciam ausência de açúcar, pois podem conter outros carboidratos, como a maltodextrina.

Já a expressão fit não garante que o produto tenha uma composição nutricional melhor. Em algumas versões, a diferença calórica em relação ao alimento convencional pode ser pequena. O nutricionista alerta ainda que consumir uma quantidade maior porque o produto parece mais saudável pode anular uma eventual redução de calorias.

A orientação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, ovos e feijão, e reduzir a frequência de consumo de ultraprocessados.

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