Acidentes com escorpiões aumentam em Dourados e CCZ faz alerta à população

O município só não registrou mais acidentes do que Três Lagoas, que teve 656 casos, sendo 47,7% a mais do que em 2024; e Campo Grande que está no topo da lista, com 1.779 registros, 6,6% mais casos nesse mesmo comparativo

| DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA


Escorpiões são encontrados na região central da cidade - Crédito: Clara Medeiros/Dourados News

Os casos de acidentes com escorpiões aumentaram 65% em Dourados em 2025, no comparativo com todo o ano passado. A cidade é terceira do Estado que mais registra essas ocorrências, ficando atrás somente de Campo Grande e Três Lagoas que apresentaram crescimento menos acentuado nesse mesmo período.

Dados da CVSAT/SES (Coordenadoria em Saúde Ambiental e Toxicológica da Secretaria de Estado de Saúde), mostram que a maior cidade do interior do Estado registrou 331 acidentes com escorpiões até novembro deste ano, enquanto em 2024 foram 201 casos.

O município só não registrou mais acidentes do que Três Lagoas, que teve 656 casos, sendo 47,7% a mais do que em 2024; e Campo Grande que está no topo da lista, com 1.779 registros, 6,6% mais casos nesse mesmo comparativo.

Em todo Mato Grosso do Sul, foram 5.551 até novembro, uma alta de 14,7% que coloca os escorpiões como os animais peçonhentos com maior quantidade de acidentes no Estado, 78,3% do total.

SUBNOTIFICAÇÃO

Enquanto os acidentes aumentam, a quantidade de pessoas que solicitam serviços relativos a escorpianismo ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Dourados, diminuiu 4,5% no comparativo com 2024. Este ano foram 263 amostras coletadas.

“A subnotificação esconde situações reais que acontecem silenciosamente, tendo em vista a desinformação, negligência e desconhecimento de munícipes sobre a necessidade de informar a ocorrência de um escorpião ao CCZ”, explica o biólogo do setor de Entomologia do CCZ, Jalmir da Silva Ferreira Junior.

“É percebido na cidade de Dourados certa ausência ou deficiência em ações preventivas individuais, principalmente na numerosa porção de imóveis vazios urbanos, devido à rápida expansão imobiliária, além da existência de acumuladores clandestinos e de edificações, habitadas ou não, que acumulam condições de criadouros”, complementa.  

Segundo ele, o órgão enfrenta esses desafios através da difusão de informações em canais oficiais da prefeitura, do trabalho diário de agentes de combate às endemias que vistoriam presencialmente os imóveis, além de ações de educação ambiental. Isso porque a proliferação de escorpiões também está associada a cuidados de rotina.

Normalmente os escorpiões estão presentes onde há condições de proliferação de outros animais que podem servir como seu alimento, principalmente baratas, além de ambientes úmidos e escuros.

Diante disso, é preciso que todos mantenham seus imóveis limpos, livres de entulhos e folhagens secas, com grama aparada, sem acúmulo de madeira e lixo. Também é importante lacrar fossas sépticas e caixas de gordura, e manter ralos fechados, assim como soleira nas portas e telas em janelas.

Também é possível denunciar imóveis irregulares ao CCZ de forma anônima pelo (67) 2222-2074 (Ligação e WhatsApp). Os proprietários que não regularizarem os imóveis ao que estabelece a Lei Municipal de Controle de Vetores de Zoonoses (nº 3965/2016), podem ser multados. Somente este ano, foram emitidas 28% mais notificações em relação a média dos últimos 12 anos.

Em Dourados, a espécie de escorpião predominante é a Tityus confluens, que não está citada na relação do Ministério da Saúde que indica as que apresentam riscos à saúde humana; já as Tityus serrulatus, conhecida popularmente como escorpião-amarelo, e a Tityus stigmurus, que apresentam maior risco à saúde, foram constatadas com prevalência menor que 0,2%.

CUIDADO COM CRIANÇAS

O escorpião-amarelo ainda é a espécie envolvida na maioria dos casos de morte. Entre os 33 considerados graves em MS registrados entre 2020 e 2025, pelo menos 60% vitimaram crianças menores de dez anos e todas as que morreram nesse período são dessa faixa etária.

“Normalmente afetam mais crianças, pois essas possuem biomassa menor o que favorece a maior concentração do veneno, além da dificuldade de algumas crianças, por sua faixa etária, descreverem o animal agressor ou relatar incidentes com os mesmos, favorecendo atrasos em buscar auxílio médico”, explica o biólogo.

Somente em 2025, foram dois óbitos, de um menino de oito anos picado durante um casamento em Naviraí, e de uma menina da mesma idade picada enquanto brincava no quintal de casa com a irmã, em Chapadão do Sul. Esses casos foram no mês de agosto.

MESES MAIS PROPÍCIOS

A maior atividade desses animais é entre os meses de setembro a março, devido a temperatura elevada, umidade, oferta de alimento e maior taxa de reprodução de animais e vegetais, oferecendo mais alimento, condições de dispersão e alimento.

No primeiro trimestre do ano, os acidentes ainda costumam acontecer com mais frequência, devido ao período de férias e festas, em que mais pessoas estão em casa. Entre os casos registrados este ano em MS, pouco menso da metade foi entre janeiro e março.

Em caso de acidente com escorpião, a orientação é lavar o local da picada com água e sabão e procurar a unidade de pronto atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) mais próxima. O soro antiescorpiônico está disponível somente na rede pública.

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