“Bebês do Mounjaro”: a tirzepatida estimula realmente a fertilidade?

Muitas mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos

| CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS


Mounjaro possui como princípio ativo a tirzepatida (Foto: Freepik)

Nos últimos meses, milhares de mulheres têm compartilhado nas redes sociais relatos de gravidez enquanto usavam medicamentos como Mounjaro, a tirzepatida, e Ozempic, a semaglutida. Os chamados “bebês do Ozempic' viraram assunto nas redes e até em mídias tradicionais, gerando tanto curiosidade quanto medo.

Muita gente tem se questionado se os tratamentos usados para emagrecimento podem, de alguma forma, tornar a mulher mais fértil ou afetar a eficácia dos anticoncepcionais.

De acordo com a médica Krislere Gomes da Silva, é preciso separar experiências pessoais de orientação cientificamente embasada. “A injeção não promove fertilidade. Uma coisa não tem ligação com a outra', pontua.

Segundo ela, há casos em que mulheres que começam a usar tirzepatida ou Ozempic relatam regulação hormonal e melhoras no ciclo menstrual. “O que acontece é um equilíbrio do organismo. A mulher perde peso, melhora a resistência à insulina, regula hormônios. Quando isso acontece, o corpo entra num parâmetro hormonal positivo', explica.

A especialista reforça que a tirzepatida não age como método impulsionador de fertilidade, mas quando o corpo entra no “parâmetro hormonal positivo', é comum que a função reprodutiva seja mais regular.

Esse processo pode fazer com que o ciclo menstrual fique mais regular e a ovulação aconteça de forma mais previsível, algo que já poderia ocorrer apenas com a melhora da saúde metabólica. “A mulher passa a ovular melhor, mas não é por causa da tirzepatida. É porque o metabolismo dela está organizado', reforça.

Isso pode coincidir, especialmente, com o início do uso de medicamentos como a ozempic, levando algumas mulheres a associarem erroneamente a gravidez ao efeito direto da medicação.

Krislere ressalta que para mulheres que iniciam anticoncepcional ao mesmo tempo em que usam esses medicamentos, é possível que ocorram interferências, principalmente nos primeiros meses. “Eu indico que a mulher associe outro método contraceptivo pelo menos nos primeiros três meses. Se não quiser engravidar de jeito nenhum, o DIU ainda é o método mais seguro', recomenda.

Relatórios da agência australiana TGA e a britânica MHRA, reforçam que não há dados suficientes sobre a segurança desses medicamentos em gestantes e indicam que eles devem ser evitados durante a gravidez e enquanto a mulher estiver tentando conceber.

Além disso, a TGA atualizou recentemente suas orientações para alertar que a tirzepatida pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais, possivelmente por atrasar o esvaziamento gástrico, o que pode interferir na absorção de comprimidos hormonais. Por isso, recomenda-se o uso de contracepção não oral ou métodos de barreira por algumas semanas após iniciar ou alterar a dose do medicamento.

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