Hamilton vence pela 1º vez com a Ferrari após estratégia ousada no GP da Espanha

Britânico aproveitou Safety Car Virtual e quebra de Antonelli para encerrar jejum de 686 dias sem vitória

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Britânico da Ferrari ao cruzar a linha de chegada na Espanha (Foto: Reprodução/F1)

Lewis Hamilton conquistou neste domingo sua primeira vitória pela Ferrari ao vencer o Grande Prêmio da Espanha, em uma corrida definida por uma combinação de ritmo forte, estratégia agressiva da equipe italiana e um Safety Car Virtual decisivo na reta final da prova. O resultado encerrou um jejum de 686 dias sem vitórias do heptacampeão mundial e maior vencedor da história da Fórmula 1.

O último triunfo de Hamilton havia acontecido no GP da Bélgica de 2024, quando herdou a vitória após a desclassificação de seu então companheiro de Mercedes, George Russell. Desta vez, o britânico derrotou Russell diretamente na pista e garantiu um resultado importante na disputa do campeonato.

Com a vitória, Hamilton reduziu em 18 pontos a vantagem que Kimi Antonelli possuía sobre ele na classificação. O jovem piloto da Mercedes chegou a assumir a segunda posição durante a corrida após ultrapassar Russell, mas abandonou a prova nas voltas finais devido a problemas técnicos. Apesar de a diferença entre os dois pilotos da Mercedes permanecer em 50 pontos, Hamilton ocupa agora a vice-liderança do campeonato, 41 pontos atrás de Antonelli.

O terceiro lugar ficou com Lando Norris, da McLaren. O resultado formou o primeiro pódio inteiramente britânico da Fórmula 1 desde 1968.

A Ferrari optou por uma abordagem distinta desde a largada. Hamilton iniciou a corrida com pneus macios, buscando aproveitar a aderência extra para assumir a liderança ainda nos primeiros metros. A tentativa, no entanto, não surtiu efeito. Russell, que havia conquistado a pole position, manteve a primeira colocação, enquanto Hamilton permaneceu em segundo, seguido por Antonelli.

As altas temperaturas foram um dos principais fatores da corrida. Com o asfalto ultrapassando os 50°C, a gestão dos pneus tornou-se determinante para o resultado final.

Hamilton foi o primeiro dos líderes a realizar sua parada, na volta 12. A movimentação forçou uma resposta imediata da Mercedes, que chamou Russell e Antonelli para os boxes, mesmo após ambos terem largado com pneus médios. Russell demonstrou insatisfação com a decisão, alegando que ainda preservava bem seus pneus e poderia permanecer mais tempo na pista.

A Ferrari voltou a surpreender quando chamou Hamilton para sua segunda parada na volta 28. Desta vez, a Mercedes optou por não reagir imediatamente. Enquanto Antonelli passava a apresentar um ritmo forte com pneus duros e se aproximava de Russell, Hamilton iniciou uma recuperação gradual, reduzindo a diferença para os líderes.

A estratégia da Ferrari era clara: construir vantagem suficiente para realizar uma parada adicional sem comprometer a disputa pela liderança. O plano começou a funcionar quando Russell e Antonelli fizeram seus pit stops nove e dez voltas depois de Hamilton. Naquele momento, o piloto da Ferrari já havia aberto cerca de 15 segundos de vantagem.

Pouco depois, a corrida ganhou seu momento decisivo. Fernando Alonso precisou estacionar sua Aston Martin à beira da pista, provocando a entrada do Safety Car Virtual.

Hamilton aproveitou imediatamente a neutralização para realizar sua terceira parada. Como o regime de VSC obriga os pilotos a respeitarem um tempo máximo de volta, o tempo perdido nos boxes é significativamente reduzido. Com isso, o britânico retornou à pista ainda na liderança e com pneus cinco voltas mais novos que os de seus principais rivais.

A partir daí, o cenário ficou favorável ao piloto da Ferrari. Russell não conseguiu ameaçar a liderança e acabou ultrapassado por Antonelli. Entretanto, o italiano também não conseguiu levar a disputa adiante, já que enfrentou problemas mecânicos e abandonou a prova pouco depois.

Hamilton administrou a vantagem até a bandeirada final para conquistar sua primeira vitória com a Ferrari.

Gabriel Bortoleto teve uma corrida marcada por dificuldades desde os primeiros metros. Largando na 12ª posição, o brasileiro caiu para 17º logo na largada. A Audi confirmou posteriormente que houve problemas no procedimento de saída.

Enquanto Bortoleto perdia posições, seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, manteve o nono lugar inicial. O alemão, porém, abandonou a prova após 16 voltas devido a problemas mecânicos.

Ao longo da corrida, o brasileiro protagonizou disputas com os pilotos da Haas. Em uma dessas batalhas, foi empurrado para fora da pista por Esteban Ocon, incidente que causou danos na parte direita do carro.

Segundo a Audi, o impacto comprometeu a eficiência aerodinâmica do carro em aproximadamente dez pontos, afetando especialmente o equilíbrio traseiro. O prejuízo dificultou a condução e comprometeu o desempenho de Bortoleto no restante da prova.

Outro fator que prejudicou a estratégia do brasileiro foi o momento do Safety Car Virtual. Como já havia realizado sua segunda parada antes da neutralização causada pelo abandono de Alonso, ele não conseguiu aproveitar a economia de tempo nos boxes, ao contrário dos adversários que ainda precisavam parar.

Com dificuldades para administrar os pneus nas voltas finais, Bortoleto precisou fazer uma parada extra. Ainda assim, conseguiu recuperar posições graças à sequência de abandonos na parte final da corrida e cruzou a linha de chegada em 11º lugar, ficando próximo da zona de pontuação.

Após o GP da Espanha, a Fórmula 1 terá uma pausa de duas semanas antes da próxima etapa da temporada, que será disputada na Áustria.

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