Celular deixado na calçada entregou dupla que furtou casa de coronel da PM

Namorada de assaltante ligou e informou endereço de rapaz que confessou crime à polícia

| ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Objetos furtados foram recuperados pela Polícia Militar (Foto: Divulgação)

O celular esquecido na rua após o arrombamento da casa de um coronel aposentado da Polícia Militar foi o ponto de partida para prender os 2 ladrões, de 21 e 22 anos, e recuperar uma espingarda calibre 12 e pertences avaliados em R$ 15,1 mil. O crime aconteceu na tarde de quarta-feira (30), no Bairro Jardim Montevidéu, em Campo Grande.

De acordo com o boletim de ocorrência, enquanto a equipe policial apurava o furto, a vítima, de 57 anos, encontrou o aparelho caído perto da residência e o entregou aos militares. Neste momento, o telefone tocou e os policiais atenderam a ligação. Do outro lado da linha era a namorada do dono do aparelho.

Questionada, a mulher forneceu o endereço de casa do rapaz e a equipe foi ao local onde abordou Wellython, de 22 anos, no momento em que ele chegava em um carro de aplicativo.  Questionado sobre o telefone, ele admitiu a participação no crime e indicou o paradeiro do outro suspeito e do material levado.

Os militares então fizeram novas diligências no Bairro Caiobá, onde localizaram Gustavo, de 21 anos, usando no pulso um dos relógios levados da casa do coronel. Em varredura em um terreno baldio na Rua Elias Budib, as equipes recuperaram a espingarda calibre 12 com bolsa de transporte, seis munições, um tablet e cinco relógios de pulso enrolados em uma camiseta no matagal. Os itens foram avaliados em R$ 15.170,00 e restituídos ao proprietário.

A dupla foi encaminhada para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Durante o interrogatório com o delegado Felipe de Oliveira Paiva, Wellython confessou a invasão, mas tentou exculpar o colega.

'Foi eu mesmo, mas o Gustavo não tem nada a ver não. Ele só simplesmente comprou o relógio e a corrente que eu pedi pra ele. Aí ele tava, praticamente ele só tava desenrolando uns comprador pra mim', disse Wellython.

Ele alegou ter arrombado a porta com uma chave de fenda na companhia de outro homem, conhecido como 'Marquinho', e sustentou que Gustavo não participou da invasão, tendo apenas comprado o relógio e a corrente por R$ 200 para ajudá-lo a encontrar compradores.

'Tinha mais um rapaz comigo, mas ele é noiadão mesmo, sabe? O vulgo dele é Marquinho, ele fica lá pro Taquaral também. Eu não conheço muito ele assim, foi só na hora do impulso mesmo, ele quis ir. A gente pulou pelo terreno baldio do lado de cima (...) estourando a porta com a chave de fenda', detalhou.

Já Gustavo negou a autoria do furto e declarou ser inocente. Afirmou que conhece Wellython desde a infância e apenas comprou o relógio por R$ 200 para ajudá-lo financeiramente. Durante a oitiva, o jovem também acusou a equipe policial de agressão física na abordagem, alegando que teve a cabeça batida contra a parede e levou um golpe no rosto que deixou seu olho roxo, na presença de familiares e vizinhos.

'Eu sou inocente. Esse Wellython pegou, chegou em mim e falou: 'Primo, deixa eu ir na sua casa e eu vou te dar um relógio'. Aí eu peguei [dei] R$ 200 pra ele (...). Eu não tenho nada a ver com esse furto, senhor. Nada a ver. Eu não fiz nada de errado', afirmou o rapaz.

Ambos foram autuados em flagrante por furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, e a Polícia Civil representou à Justiça pela conversão das prisões em preventivas.

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