Despedida une famílias de amigos que nasceram no mesmo dia e morreram na BR-163
Wellington e Newerton seguiam para o trabalho quando sofreram acidente; familiares cobram esclarecimentos
| CAMPO GRANDE NEWS
Unidas pela mesma dor, as mães de Wellington Silvio Bastos Zanelli e Newerton Bruno Pereira de Souza se abraçaram após perderem os dois amigos no mesmo acidente. Uma coincidência tornou a história ainda mais marcante: Wellington e Newerton nasceram no mesmo dia, 2 de maio, embora em anos diferentes. Também trabalhavam juntos e, na manhã do acidente, seguiam para mais um dia de serviço.
Wellington nasceu em 2 de maio de 1990 e morreu na quarta-feira (30), aos 36 anos. Newerton nasceu em 2 de maio de 1993 e morreu dois dias antes, na segunda-feira, data do acidente.
Nesta quinta-feira, parentes e amigos se reuniram para a despedida de Wellington. O velório foi realizado em uma igreja no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Além da família, colegas de trabalho acompanharam a cerimônia e levaram caminhões utilizados na coleta de resíduos, atividade exercida por Wellington havia cerca de um ano e três meses.
Edvaldo Ferreira, de 63 anos, motorista e padrasto de Wellington, contou que o enteado saiu para trabalhar por volta das 9h acompanhado do colega. Segundo ele, Wellington era trabalhador, tranquilo e muito próximo da família.
'Ele era um menino bom, pacato, atencioso e trabalhador. Servia todo mundo. Morava desde 1997 aqui no bairro, nunca teve atrito com ninguém, todo mundo gostava dele', relatou.
O padrasto também contou que Wellington tinha planos de mudar a rotina a partir do próximo ano. Depois de anos dedicados ao trabalho, pretendia ter mais tempo para aproveitar a vida ao lado da esposa e da mãe.
'Ele tinha um plano de parar de trabalhar um dia e viver um pouco para a vida. Ia trabalhar só até este ano. Em janeiro, já não estaria mais trabalhando. Ele queria passear com a esposa, com a mãe dele. Tinha esse plano, mas infelizmente não chegou', disse Edvaldo.
Wellington não tinha filhos e, conforme o padrasto, era muito ligado aos parentes. Durante o velório, abraços se repetiam ao redor do caixão. 'A família está muito abalada. Tudo isso aqui é família. Pegou todo mundo de surpresa, porque ninguém esperava o que aconteceu', afirmou.
Edvaldo disse ainda que, até a manhã desta quinta-feira, a família não havia tido contato com o motorista envolvido no acidente. Segundo ele, os parentes pretendem esperar o fim das despedidas antes de decidir quais providências tomarão.
O padrasto atribui o acidente a uma imprudência e cobra que as circunstâncias sejam esclarecidas pelas autoridades. 'Foi duas vidas que o cara tirou e não volta mais. Só vai ficar a família com o pensamento e as boas lembranças que ele deixou. A gente quer saber o que aconteceu e ter uma explicação perante a Justiça', declarou.
Wellington pilotava motocicleta havia anos, segundo Edvaldo. Ele afirmou que o enteado era habilitado e que o veículo estava regularizado e segurado.
A despedida de Wellington começou na noite de quarta-feira (1º) e terminou na manhã desta quinta-feira. O sepultamento foi marcado para as 10h, no Cemitério Park Monte das Oliveiras, em Campo Grande.
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