Acionistas da Raízen aprovam reestruturação de dívida de R$ 61,4 bilhões

Plano prevê novos aportes, conversão de débitos em ações e divisão da companhia em duas empresas

| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


Logotipo da Raízen em uma das usinas controladas pela marca. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) as medidas necessárias para executar o plano de recuperação extrajudicial da companhia, que prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas. A empresa, que atua na produção de açúcar e etanol e na distribuição de combustíveis, também poderá aumentar seu capital em até R$ 39,8 bilhões e separar os dois negócios em companhias independentes.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o aumento de capital previsto varia de R$ 3,5 bilhões a R$ 39,8 bilhões e envolve novos investimentos e a conversão de dívidas em ações. A Shell deverá aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto o empresário Rubens Ometto poderá contribuir com aproximadamente R$ 500 milhões, por meio da Aguassanta. A Cosan não participará dessa etapa e terá sua participação na empresa reduzida. O conselho de administração deverá analisar a operação na próxima sexta (6).

O plano recebeu o apoio de 81,6% dos credores e foi homologado pela Justiça em 30 de julho. Pelo acordo, a Raízen converterá 45% dos créditos abrangidos pela recuperação em ações da companhia. Os 55% restantes serão renegociados por meio de novos títulos de dívida. A medida busca reorganizar as finanças do grupo, que enfrenta dificuldades relacionadas ao endividamento e ao desempenho do setor sucroenergético.

Outra mudança será a divisão da companhia. A Raízen Energia concentrará a produção e a comercialização de açúcar, etanol e bioenergia. Já a Raízen S.A. ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. As duas empresas terão administrações próprias, mas a separação ainda depende do cumprimento das condições previstas no plano.

Em Mato Grosso do Sul, a crise financeira da Raízen já havia provocado mudanças nas operações da empresa. Em março deste ano, quando o grupo apresentou o pedido de recuperação extrajudicial, o Campo Grande News mostrou que a companhia mantinha apenas uma usina no Estado, localizada em Caarapó, após negociar outras duas unidades em Rio Brilhante.

As usinas Rio Brilhante e Passa Tempo foram vendidas à Cocal Agroindústria em uma negociação anunciada em agosto de 2025, por R$ 1,543 bilhão. O acordo incluiu as instalações industriais, áreas de cultivo de cana-de-açúcar e contratos com fornecedores. Juntas, as duas unidades tinham capacidade para processar aproximadamente seis milhões de toneladas de cana por safra.

Em julho deste ano, a Raízen também anunciou a venda da Usina Caarapó para a Adecoagro, em negócio inicialmente estimado em R$ 760 milhões. A compradora concluiu a aquisição em setembro, por R$ 705 milhões, após os ajustes previstos no contrato. Com a transferência, a Raízen encerrou suas operações industriais de açúcar e etanol em Mato Grosso do Sul.

Antes da venda, a situação financeira da companhia havia provocado preocupação entre os trabalhadores de Caarapó. Em reportagem publicada em março, o Campo Grande News mostrou que a unidade empregava cerca de 1,7 mil pessoas, segundo o sindicato da categoria. A entidade também relatou que aproximadamente 250 funcionários haviam sido demitidos no fim de 2025.

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