Após cidade ‘respirar fumaça’ em 2024, qualidade do ar se mantém satisfatória em Campo Grande

Estação de monitoramento da qualidade do ar emite alerta diários sobre poluição atmosférica. Chuvas de 2025 asseguraram superação de ano crítico

| MIDIAMAX/IDAICY SOLANO


Cidade de Campo Grande (Foto: Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Nos primeiros seis meses de 2025, Campo Grande se manteve com a qualidade do ar em índices frequentemente abaixo de 40, estimativa considerada ‘boa’, conforme o padrão utilizado pela Resolução nº 491/2018, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que estabelece os padrões de qualidade do ar.

Em comparação ao mesmo período de 2024, entre o fim de junho e o início de julho, houve uma melhora significativa. No ano passado, os níveis eram frequentemente moderados ou ruins durante o período de estiagem e Campo Grande enfrentou o pior índice desde o início do monitoramento da estação, em 2021, com 51 dias acima do nível indicado.

Conforme detalha o professor do Instituto de Física Widinei Alves Fernandes, responsável pela estação, Campo Grande chegou a registrar o nível péssimo em 8 de outubro de 2024. Naquele dia, a qualidade do ar estava tão afetada, que respirar o ar da Capital era o equivalente a consumir seis cigarros ao dia.

Registros feitos pelo Jornal Midiamax, na época, mostram parques, prédios e casas envoltos pela fumaça das queimadas que ocorreram na região do Pantanal sul-mato-grossense, um dos fatores que mais contribuíram com a poluição do ar. 

2024 enfrentou 51 dias acima do nível indicado

Entre janeiro e novembro de 2024, o Pantanal sul-mato-grossense perdeu 1,8 milhão de hectares devido aos incêndios florestais. O número representa 20,82% do território pantaneiro que existe no Estado, cerca de 9 milhões de hectares. O registro é maior que em 2020, quando o fogo devastou cerca de 1,2 milhão de hectares.

A maior concentração dos focos de calor foi registrada nos municípios de Corumbá (65,0%), Aquidauana (17,3%), Porto Murtinho (9,1%) e Miranda (8,1%), que registram 98,8% dos focos de calor do Pantanal sul-mato-grossense. Os dados constam no Informativo nº 22 do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS), divulgados em novembro do ano passado.

“Em 2024, tivemos 51 dias fora da condição denominada boa durante os meses de estiagem. Por isso, é importante medir [a qualidade do ar], porque a gente informa a população de Campo Grande em tempo real, e isso é muito importante para o poder público agir', reforça. 

Qualidade do ar atualmente 

Conforme informado pelo professor, somente nos quatro primeiros meses de 2025, choveu o equivalente à precipitação durante os 12 meses de 2024. Por conta disso, houve uma boa redução nas queimadas, principal fator que impacta na qualidade do ar.

Em relação a outros poluentes, Widinei explica que o fluxo veicular tem uma contribuição significativa, principalmente durante os dois picos diários, por volta das 7h e no final da tarde. No entanto, esse fluxo não tem se mostrado o suficiente para impactar índices. 

“[Sair da qualidade boa] tem ocorrido quando ocorrem queimadas. E nem precisam ser queimadas próximas.  Queimadas da Amazônia, de Mato Grosso e da Bolívia nos alcançaram aqui e causaram a piora da qualidade do ar em 2024', explica. 

A população pode ter acesso aos índices e níveis da qualidade do ar no site da estação de monitoramento, onde os dados são atualizados a cada 24 horas. 

Por que queimadas pioram a qualidade do ar? 

As fontes mais expressivas que influenciam na qualidade do ar são as queimadas, veículos e indústrias. No entanto, a que ganha, em disparada, são as queimadas. Quando elas ocorrem, a fumaça lança partículas finas na atmosfera, capazes de viajar longas distâncias. Além disso, as queimadas liberam uma série de poluentes, incluindo dióxido de nitrogênio e cobalto, que afetam gravemente a saúde. 

“Vamos entrar no período seco, o mais crítico. É quando começa a aumentar a chance de ter queimadas, e essas partículas muito finas ficam por vários dias na atmosfera. O principal fator para a remoção é a chuva. Então, quando chove, a atmosfera é ‘lavada’. Quando não tem chuva, essas partículas ficam em suspensão, aumentando a concentração. Logo, a qualidade do ar vai ficando cada vez pior', explica. 

Atualmente, o professor revela que não possui recursos para medir os poluentes gasosos, apesar de dispor dos equipamentos. Por isso, o projeto vive de parcerias com entidades públicas e privadas, inclusive por meio de editais, para conseguir verba. 

Como funciona a estação? 

Com dados atualizados a cada 60 minutos, a estação de monitoramento da qualidade do ar da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) emite alertas precisos da poluição atmosférica em Campo Grande, atualizados a cada 24 horas.

Basicamente, as chamadas partículas de suspensão e partículas finas adentram os sistemas da estação e vão direto para um filtro. Lá, é feita a leitura “por segundo' das partículas que circulam pelo ar e vão parar nos filtros ao longo do dia. Dessa forma, o professor explica que, a cada hora, a estação registra uma medição da qualidade do ar.

Esses dados são reunidos e transformados em uma média das últimas 24 horas, conforme o padrão utilizado pela Resolução nº 491/2018, do Conselho Nacional do Meio Ambiente. A normativa estabelece os padrões de qualidade do ar e, a partir da média obtida, é calculado um índice, que serve como uma forma mais simples de informar à população se a qualidade do ar está boa ou não.

“Esse índice mostra quando as concentrações são baixas, que é uma qualidade do ar denominada boa, embora não existam níveis seguros para a exposição a esses poluentes. Mas, quando a concentração é um pouco maior, ela passa para outros níveis', explica o professor.

Índices da qualidade do ar 

Segundo explicação do professor, a condição do ar é medida em níveis, conforme o índice da qualidade do ar: um índice até 40 é denominado qualidade boa; de 40 a 80, passa para moderada; de 80 a 120, é qualidade ruim; de 120 a 160, muito ruim; e, por fim, acima de 160 é qualidade péssima.

No nível moderado, crianças, idosos e pessoas com predisposição para problemas respiratórios são as principais afetadas. Quando a concentração passa para o nível ruim em diante, toda a população, independente da idade ou condição física, é afetada. 

“Quando chega ao nível ‘muito ruim’, já é indicado o uso de máscaras. Além disso, já é recomendado não fazer mais atividade física. Então, emitimos alerta para as escolas suspenderem a educação física, por exemplo, além de atenção à saúde principalmente de crianças e idosos', completa o professor. 

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