Cão Orelha: polícia pede internação de adolescente e indicia adultos
Polícia conclui que adolescentes participaram da morte do cão Orelha em Florianópolis
| TOP MíDIA NEWS/ELIZEU RIBEIRO
A investigação sobre a morte do cão Orelha foi concluída pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) nesta terça-feira (3/2). De acordo com o inquérito, ficou comprovado que o crime, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis, teve envolvimento de adolescentes. A polícia pediu a internação de um dos jovens e indiciou três adultos por coação a testemunha.
As investigações sobre as agressões contra o cão Caramelo também foram finalizadas. Quatro adolescentes foram representados pelo caso Caramelo.
Por envolver menores de idade, o processo tramita em segredo de Justiça, segundo informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Foram 24 testemunhas ouvidas, 8 adolescentes suspeitos investigados, além de provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens.
Para chegar ao autor do crime, a Polícia Civil analisou mais de 1 mil horas de gravações de 14 equipamentos que captaram imagens na região.
Segundo a PCSC, um software francês obtido pela corporação também analisou a localização do responsável durante o ataque fatal ao Cão Orelha.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). A investigação seguiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e foi concluída após o depoimento do autor, durante esta semana.
A Polícia Civil finalizou os procedimentos policiais dos casos Orelha e Caramelo e encaminhou para apreciação do Ministério Público e Judiciário.
Por conta da gravidade do caso Orelha, a Polícia pediu a internação do adolescente, “equivalente a uma prisão de adulto.”
Contradição no depoimento A Polícia civil afirma que o desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava.
Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga feminina. “Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina.”
Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio.
Tentativa de obstrução O adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso e ficou no exterior até o dia 29 de janeiro. No retorno, ele foi interceptado pela Polícia ao chegar no aeroporto.
Um familiar tentou esconder um boné rosa, que estava em posse do adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação.
Além disso, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime.
Caso Orelha Orelha foi visto com vida pela última vez no dia 4 de janeiro. Ele era um cão comunitário, cuidado por moradores e comerciantes da Praia Brava, onde vivia há pelo menos dez anos. O animal circulava pelo bairro, acompanhava pescarias, frequentava festas e fazia parte da rotina local, sendo conhecido por posar para fotos com moradores e turistas.
O cão foi encontrado por uma moradora agonizando embaixo de um carro. Ele apresentava lesões na cabeça e no olho esquerdo, além de estar desidratado e sem reflexos. Orelha chegou a receber tratamento com soroterapia, mas morreu pouco tempo depois.
No dia 26 de janeiro, dois adolescentes e um adulto foram alvos de mandados de busca e apreensão. Na mesma data, um advogado e dois empresários foram indiciados por suspeita de coação de testemunha no curso do processo.
Já no dia 28 de janeiro, outros dois adolescentes tiveram os celulares apreendidos ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis, após o cumprimento de novos mandados de busca.
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