Piloto relata momentos de tensão antes de pouso forçado em MS: 'só agradecer a Deus'
| DOURADOSNEWS / ADRIANO MORETTO
A tarde do dia 30 de março de 2026 ficará marcada na memória do piloto Lucas Antunes, 34, e também da família dele. Poucas horas após o avião modelo Cesnna 210 que ocupavam decolar da Fazenda Água Doce, na região do Pantanal, em Porto Murtinho, uma perda de potência o obrigou a realizar um pouso forçado próximo ao município de Antônio João.
Naquele momento, o que parecia se desenhar em tragédia, deu espaço para agradecimentos e alívio ao observar, já no chão, todos em vida, incluindo o filho de Lucas, um bebê de apenas dois meses.
“Graças a Deus. Só foi bem material. Agora, é só agradecer a Deus', relatou em entrevista ao Dourados News nesta terça.
Após a decolagem no Pantanal, o destino final da aeronave que transportava seis pessoas, entre eles o recém-nascido, era o Aeroporto Internacional de Ponta Porã.
Porém, devido ao problema aparentemente mecânico, o piloto precisou realizar manobras para conseguir descer o avião e preservar a integridade dos ocupantes. Por alguns minutos, Lucas sobrevoou a área, considerada de difícil acesso por conta da 'morraria', até encontrar um local seguro.
“Estava eu, minha esposa, meu filho de dois meses, meu irmão, cunhada e mais um amigo nosso. Chegando próximo a Antônio João, em torno de 15 minutos para o pouso em Ponta Porã, o motor começou a apresentar pane, a perder potência, ficou muito fraco”, disse, continuando em seguida. “Tentei achar alguma pista segura, mas a região é de morraria. Planei por volta de três a cinco minutos e acabei optando por descer próximo a uma estrada. Quando cheguei perto dela, havia uma rede de energia e eu não conseguiria passar sobre a rede, então optei por baixo dela. E quando eu passei, o avião perdeu muita energia e eu não consegui mais chegar na estrada. Por isso precisei descer o avião no milharal”, contou ao Dourados News.
Local onde avião acabou fazendo pouso forçado - Foto: Dourados News
De acordo com o piloto, após o pouso o avião percorreu aproximadamente 30 metros em meio a plantação e acabou batendo em uma valeta, fazendo com que derrapasse e parasse em seguida.
O primeiro passo ao observar que estava em terra, foi observar se todos estavam bem e auxiliar na retirada da aeronave.
Com o impacto da queda, Lucas sofreu corte e precisou receber alguns pontos na boca, enquanto os passageiros passaram por avaliação médica e já estavam liberados.
“Eu bati minha cabeça no painel [da aeronave], levei pontos nos lábios e saiu bastante sangue no meu nariz. Os outros passageiros praticamente não sofreram qualquer arranhão. Só foi o susto mesmo. Meu filho está bem, já está em casa. Ficou em observação no hospital desde ontem, mas está bem”, comentou.
Fiscalização
Equipes vão analisar o que pode ter causado a pane na aeronave - Foto: Dourados News
Após o acidente, os órgãos competentes estiveram no local da queda da aeronave para dar início às investigações que possam ter levado ao fato.
Nesta terça-feira (31/3), equipes do DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), que atua em sinistros aéreos, e da Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), colheram informações, apreenderam peças e coletaram amostras de combustível e óleo para auxiliar nos trabalhos.
“Vistoriaram e periciaram todo o avião. Agora será desmontado e levado para descobrir realmente o que causou a pane”, contou Lucas.
De acordo com o piloto, o avião havia passado por reforma há pouco tempo. Ele havia sido adquirido em 2014.
Já em casa e depois do susto, Lucas disse que o momento era de agradecimento. 'Foi apenas um bem material. Meu pai me acalmou também, falou para ficar tranquilo e aí relaxamos. Agora é só agradecer a Deus', finalizou.
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