Uma viagem e vários significados
Romilda Pizani narra sua experiência ao palestrar sobre o tema 'Mulheres Negras: Uma Trajetória de Luta e Empoderamento no Brasil'
| ROMILDA PIZANI
Fui convidada pela professora doutora Gladys Mitchell para ministrar uma palestra na Universidade Central da Carolina do Norte (em 21/10), com o tema 'Mulheres Negras: Uma Trajetória de Luta e Empoderamento no Brasil'. Me senti extremamente honrada com o convite.
Depois de absorver o convite, fui tomar as providências para que a viagem acontecesse, entre a organização do visto e o preparo da palestra. Tive dias de muita ansiedade, mas tudo pronto, checklist ok! Visto ok! Palestra ok! Rede de apoio nos EUA ok! Inglês... Vamos lá!
O meu primeiro impacto foi quando eu desembarquei em Atlanta: uau! Muitas pessoas negras em diversas funções de trabalho, lindo de ver. Depois, foi na Universidade Central da Carolina do Norte, quando eu entrei no campus da universidade, eu só via pessoas negras jovens. No dia em que proferi a minha palestra, um dos jovens perguntou: 'Quantas universidades negras tem no Brasil?' E eu respondi: 'Uma'. Conversamos sobre o porquê de termos somente uma.
Depois, veio outra pergunta: 'As mulheres negras, como elas lidam com a violência?' E eu respondi que o índice de feminicídio no Brasil ainda é muito alto. Por último, os jovens negros no Brasil, o que costumam fazer? Uau! Respondi que fazem várias coisas, ou às vezes fazem mais do que as oportunidades que lhes são apresentadas.
Terminei minha fala, respondi às perguntas e saí com o sentimento de como precisamos avançar em diversos fatores, mas em especial para com a nossa juventude negra. Eu estava em uma universidade que tem mais de 95% de alunos negros, sendo essa uma das 80 universidades negras dos EUA. E ao sair da sala, fui convidada para ir até o pátio da universidade para conhecer o Encontro das 10:40. Toda terça-feira, às 10:40, acontece o Encontro das 10:40, que começou há muito tempo atrás para discutir ações e estratégias de combate ao racismo nos EUA e que continua até os dias de hoje.
A partir de uma outra linguagem, buscam continuar a fortalecer essa luta. Foi lindo ver esse número de jovens negros reunindo-se para se fortalecerem.
Me fiz uma pergunta: sendo o Brasil o país com o maior número de afrodescendentes fora da África, como seria se tivéssemos tido o Apartheid no Brasil? Porque, para mim, fica muito nítido que o apartheid foi o divisor de águas nos Estados Unidos. Mas aqui vivemos a falsa democracia racial e social, e certamente isso contribui para que muitas ações não aconteçam em prol da população negra.
Seguiremos acreditando que um dia tudo irá mudar e a tão sonhada democracia racial chegará. E, como disse Rubens Paiva, 'a vida presta!'.
* Romilda Pizani é Arte-educadora, apresentadora e ativista
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