Aviões levados de hangar.em Aquidauana são achados na Bolívia quase cinco anos depois
Aeronaves estavam em aeródromo interditado desde a operação contra o tráfico em março de 2022
| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
Autoridades bolivianas localizaram, nesta quarta-feira (26), os três aviões roubados do Aeroporto Municipal de Aquidauana em setembro de 2021. As aeronaves estavam no hangar 13 do Aeródromo Mondaca, em Cotoca, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia, entre equipamentos mantidos sob controle das autoridades locais desde uma operação contra o tráfico de drogas.
O achado ocorre quase cinco anos depois de cerca de 18 homens armados invadirem o aeroporto e levarem os aviões.
Entre as aeronaves está o Bonanza V35B, de matrícula PT-ING, que pertence ao pecuarista Zelito Ribeiro e a Joel Jacques. O Cessna 182 Skylane de matrícula PT-KDI pertence ao ex-prefeito de Aquidauana, José Trindade. O terceiro avião, também um Cessna 182 Skylane, tem matrícula PT-DST e pertence ao cantor e compositor Almir Sater.
O Aeródromo Mondaca também é conhecido comercialmente como La Cruceña e permanece interditado para operações aéreas civis e comerciais. Autoridades bolivianas fecharam o local durante uma grande ação contra o tráfico de drogas em março de 2022.
Na ocasião, equipes apreenderam dezenas de aeronaves e prenderam pessoas suspeitas de ligação com o narcotráfico.
A recuperação dos bens ainda depende de procedimentos no território boliviano. Os proprietários pedem que o governo do país autorize especialistas brasileiros a entrar no Aeródromo Mondaca para confirmar oficialmente a identificação dos aviões e adotar as medidas necessárias para levá-los de volta ao Brasil. Eles também querem que autoridades locais esclareçam como as aeronaves chegaram ao hangar e por quanto tempo permaneceram no complexo.
Entenda - O Campo Grande News revelou, em janeiro de 2023, que investigadores de Mato Grosso do Sul já tentavam examinar os aviões apreendidos naquele aeródromo. O Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) aguardava havia cerca de nove meses uma autorização da Bolívia para verificar se os três aviões roubados em Aquidauana estavam entre as 66 aeronaves recolhidas no local. A operação boliviana também havia resultado na prisão de 38 pessoas.
O roubo ocorreu na madrugada de 6 de setembro de 2021, quando o grupo armado invadiu o aeroporto de Aquidauana. Os criminosos retiraram os três aviões praticamente ao mesmo tempo, e a investigação apontou que a escolha considerou a capacidade de carga das aeronaves. Desde os primeiros dias, os investigadores trabalhavam com a possibilidade de os equipamentos terem seguido para a Bolívia.
No mesmo dia do crime, as autoridades brasileiras acionaram a FAB (Força Aérea Brasileira) diante da suspeita de que os aviões haviam cruzado a fronteira. Outra apuração publicada pelo Campo Grande News mostrou que o chefe do grupo acompanhou o roubo por uma chamada de vídeo. As investigações também identificaram a participação de bolivianos no esquema.
A suspeita era de que traficantes pretendiam usar as aeronaves no transporte de drogas. Aviões de pequeno porte e com boa capacidade de carga são usados em rotas clandestinas entre países da América do Sul, segundo apontavam as apurações sobre o caso. Os investigadores, porém, não conseguiram recuperar os três equipamentos nos anos seguintes ao assalto.
Em outubro de 2023, a Justiça condenou quatro envolvidos no roubo e determinou o pagamento de R$ 2,5 milhões às vítimas. Naquele momento, nenhum dos três aviões havia sido recuperado. A localização na Bolívia representa o primeiro avanço concreto conhecido sobre o paradeiro das aeronaves desde o crime.
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